
Lama Jigme Lhawang iniciou sua programação nas terras verde e amarelas pelo Rio de Janeiro, apresentando a Linhagem Drukpa do budismo tibetano, da qual é o representante oficial, e potencializando o Intituto Live to Love Brasil – Viver para Amar – . Abaixo, um breve relato das primeiras atividades deste monge brasileiro que está acostumado a se retirar nas montanhas geladas dos Himalais indiano e nepalês, trazendo consigo um olhar bondoso e uma expressão serena de quem guarda os segredos da felicidade genuína.
As Crianças
Euforia e curiosidade estavam no ar na sexta-feira, dia 27 de abril, quando um grupo de jovens da Ong Solar Meninos de Luz (situada na comunidade Pavão Pavãozinho) receberam o professor budista Ven. Lama Jigme Lhawang para uma conversa. “Por que monge usa essas roupas?” “No Nepal as crianças soltam pipas?” “O que o levou a escolher este estilo de vida?” As questões surgiram da platéia que disputava a vez de falar com os braços incansavelmente estendidos. O momento mais instigante, porém, foi quando Lama Lhawang fez as crianças se

Contação de história para as crianças do Solar
aquietarem diante da sua resposta a um “Qual é a sua religião?”. “O amor é a minha religião”, disse ele, tranquilamente. Emocionadas e empolgadas, as crianças ainda escutaram uma contação de história e combinaram de fazer um sistema de rotatividade com os livros que ganharam de presente na ocasião.
A atividade foi realizada pelo Instituto Live to Love Brasil que apoiou a iniciativa da professora e integrante da Ong.,Cláudia Ferreira. Como uma organização que se propõe a ir além dos padrões de religião, raça, sexo, etnia, o encontro do Presidente de Honra do Live to Love Brasil, Lama Jigme Lhawang com as crianças do Solar, foi uma demonstração da premissa básica da entidade, que é a de inspirar o despertar da verdadeira amorosidade em toda e em cada ação diária.
O Lançamento

Lama Jigme Lhawang - Presidente de Honra do Instituto Live to Love Brasil - Viver para Amar
Atuante em diversos países do mundo nas áreas de educação, saúde, patrimônio cultural, sustentabilidade ambiental e auxílio em catástrofes, a Fundação Live to Love chegou ao Brasil no início deste ano, e teve sua cerimônia de lançamento oficial justo na noite do mesmo inspirado dia 27 de abril.
O auditório do Museu da República foi palco para a comemoração dos “lovers”, amigos e convidados que, juntos, vibraram pelo lançamento do Instituto Live to Love Brasil – Viver para Amar. As mais de oitenta pessoas presentes tiveram a rara oportunidade de, em uma mesma ocasião e em um mesmo espaço, ouvir um museólogo, o canto de uma monja zen, a palestra de um lama e os acordes de uma dupla que improvisou a percussão indiana e a misturou com a voz brasileira.
O Coordenador do Circuito Sitíos Históricos da república, Andre Andion Angulo, propôs uma parceria com o Instituto para que juntos, possam pensar as reformas necessárias em algumas salas do prédio do Museu. Mantras e orações musicadas de Valéria Sattamini sensibilizaram os presentes, assim como seu oferecimento de um jingle para a entidade. O Presidente do Instituto João Pedro Demore agradeceu a S.S. Gyalwang Drukpa pelo surgimento da Fundação Live to Love no mundo e Lama Jigme Lhawang (Presidente de Honra) lembrou a todos que a satisfação duradoura só pode ser por nós vivenciada, quando nos transformamos em um veículo que leva felicidade aos outros seres. “Vocês não precisam se filiar a nada, nem a uma religião, mas realmente gostaríamos de convidá-los a experimentar uma felicidade mais significativa, que só existe quando interna e externamente, vamos ao encontro dos seres e os beneficiamos.” Mihay Freire fechou a cerimônia com chave de ouro, apresentando uma nova perfomance com a percussão de Sandro Lustosa.

Museólogo Andre Angulo

Valéria Sattamini

Mihay e Sandro
A Caminhada
Caminhar lenta e naturalmente em meio a natureza contatando a mãe terra é uma método de cura, garante Lama Lhawang.
Lama Jigme Lhawang sugere que possamos adquirir a prática de dar passos lentos e tranquilos, respirando um ar de melhor qualidade em meio a um local arborizado, de forma que possamos nos familiarizar com um estado natural de ser,
abrindo o coração para o amor e despertando a saúde e a serenidade mental. Identidades e emoções de todo o tipo surgem na caminhada, fazendo parte dela. E a instrução é a de que possamos gerar um espaço de acolhimento. “A luta ocorre quando não há espaço. E a luta não é necessária”.
No sábado pela manhã, as trilhas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro receberam as pisadas conscientes de um grupo de pessoas orientadas por Lama Lhawang. Esta conscientização ambiental foi proposta com uma etapa externa de tranquilizar o corpo e aprender a respirar melhor, outra interna, de gerar o espaço de acolhimento de emoções e pensamentos conflitivos a ponto de deixá-los se esvair sem esforço, e outra secreta, que pode captar e proporcionar a vivência da integração total dos seres, quando já não há separação entre o quem e o onde o passo é dado. “Essa etapa é secreta”, explica o Lama, “porque raramente a percebemos, muito embora essa inseparatividade está sempre presente, nos convidando ao regozijo. Se cultivarmos uma mente a partir deste foco de conscientização, não há como adoecermos ou proporcionarmos doença a alguém ou à nossa mãe natureza.”
As Palavras
Durante o último final de semana de abril, Lama Jigme Lhawang ainda ofereceu ensinamentos, explicando os veículos do treinamento da mente no budismo tibetano e abordando os quatro selos que todo conhecimento budista autêntico deve conter. Lama Lhawang explicou a importância de um praticante do budismo reconhecer o veículo, a abordagem do mestre e a etapa do caminho na qual se encontra. Salientou que é muito importante termos a diversidade de métodos para que eles possam auxiliar a todos os tipos de pessoas, convidando para que possamos apreciar todos os professores espirituais cujas diferenças não devem ser comparadas, mas sim compreendidas no seu contexto e no alvo de tocar alunos diferentes.
Contando um pouquinho da trajetória dos yôguis que originaram a Linhagem Drukpa desde o grande Marra-siddha e Pandita Naropa -do qual S.S. Gyalwang Drukpa é considerado uma reencarnação, – até o fundador da Linhagem Tsanpa Gyare, Lama Jigme Lhawang compartilhou da importância de todos os exemplos dados pelos diversos mestres da humanidade, pois “nossa própria vida é a expressão de nossa espiritualidade , de nosso universo interior”.
O primeiro Lama brasileiro da Linhagem Drukpa ainda lembrou que o sentido da vida é “live to love – viver para amar”, uma vez que “nossa vida é a expressão do amor primordial, uma indicação constante da verdade universal. É o amor primordial que possibilita que tudo se manifeste.”

Sala de Prática Drukpa Brasil

Ensinamentos de Lama Lhawang

Atentos as palavras do Lama
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Lama Jigeme Lhawang está seguindo sua programação proferindo palestras, conduzindo retiros e orientando yatras (caminhadas em meio a natureza com foco espiritual) em Brasília e em Alto Paraíso. Acompanhe a programação!